Um espaço de ideias e partilha para todos os que amam o mar.
Quarta-feira, 30 de Abril de 2014
Motor ou leme?

A arte de navegar é fortemente suportada pelas experiências vividas pelo marinheiro. Os conceitos teóricos abundam e hoje em dia o excesso de informação disponível é tão ou mais nocivo do que a escassez da mesma. Sempre que nos aventuramos no mar temos a grande preocupação de que nada falhe, e tratamos com especial atenção o motor da nossa embarcação (seja ele o principal, seja o auxiliar). A ideia pré concebida de que se falhar o motor é o pior cenário que nos pode acontecer não é completamente verdade. O mesmo se aplica à distância que nos encontramos da costa. Mais perto da costa não é sinónimo de mais seguro. Então, o que pode ser pior do que estarmos longe da costa e nos falhar o motor? Bem, pior, pior pode ser estarmos demasiado perto da costa, a mesma ser rochosa, e apesar de termos o motor em funcionamento não termos forma de governar a embarcação, ou seja, ficarmos sem LEME. O leme da embarcação é fulcral no governo da mesma e nada pior para o nauta do que ficar à deriva e à mercê do vento e das correntes marítimas. Hoje em dia os lemes são maioritariamente controlados por sistemas hidráulicos, muitas vezes acoplados a equipamentos eletrónicos para conforto e facilidade de navegação. No entanto, esses sistemas são falíveis e antes de sairmos para o mar, devemos conhecer formas manuais e alternativas de acionar o funcionamento dos mesmos. Uma boa cana de leme, pode ser o melhor utensílio de emergência a bordo. Pior do que pararmos é andarmos à deriva…

Calado – Distância do ponto mais baixo da quilha à linha de água, medida na vertical.


tags:

publicado por cartasdemarear às 13:52
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 28 de Abril de 2014
Anti vegetativa.

A pintura da embarcação é algo frequente e rotineiro. Mesmo nas embarcações de fibra, os pequenos retoques são imprescindíveis para a manutenção de uma aparência limpa e cuidada. A escolha das tintas é crucial, quer no efeito que produzem, quer na aparência que causam. A tinta anti vegetativa ou anti incrustante é uma tinta especial aplicada nas obras vivas do casco de uma embarcação com o objetivo de impedir ou atrasar o crescimento de organismos (limos e incrustações) que se agarram à superfície do casco, e que afetam o desempenho da embarcação, nomeadamente diminuindo a sua velocidade e aumentando o seu consumo. O desenvolvimento destes organismos está diretamente relacionado com vários fatores: salinidade; luz; temperatura da água; poluição; disponibilidade de nutrientes; estação do ano e zona do globo onde se navega. A partir de 1950, foram introduzidos os anti vegetativos à base de compostos tóxicos como o cobre, e  outros biocidas compostos que impedem o crescimento dos organismos marinhos. Estes anti vegetativos à base de compostos organoestanhados foram proibidos de serem aplicados em 1 de Janeiro de 2003 e a partir de 17 Setembro de 2008 nenhuma embarcação os pode ter no seu casco. Felizmente a indústria náutica desenvolveu bastante este género de produtos e hoje encontramos as mais variadas marcas a disponibilizar ótimas soluções amigas do ambiente. Não esquecer que as tintas anti vegetativas são usadas como camada final do revestimento, pelo que são aplicadas em cima das tintas de proteção que protegem o caso da corrosão.

 

Boca – É a maior largura da embarcação, medida na perpendicular à linha proa-popa.



publicado por cartasdemarear às 20:39
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014
Resiliência.

A primavera este ano tarda em aparecer. No entanto, já começou a correria da preparação das embarcações para a época balnear que se aproxima. A manutenção do motor, a verificação do casco, o experimentar de rádios, GPS’s e sondas são atividades que fazem parte da vida de um marinheiro. A despesa pode ser elevada, mas a recompensa virá com os momentos que iremos viver a bordo da nossa embarcação com amigos e familiares. Os tempos não estão fáceis e a crise espreita em todos os setores. Os verdadeiros nautas são resilientes! É nesta altura que vivemos a oportunidade de participar de forma mais ativa na manutenção das nossas embarcações. Aprendemos mecânica para trocarmos óleos e filtros, estudamos eletricidade para a instalação dos componentes eletrónicos a bordo, desenvolvemos os conhecimentos de carpintaria para a execução de pequenas reparações e procuramos soluções na aplicação de fibra de vidro em determinados componentes da nossa embarcação. Com a crise e com a sua resiliência o nauta cresce, e desenvolve todo um conjunto de conhecimentos para além da arte da navegação. E espantem-se, ser nauta é ser mecânico, eletricista, carpinteiro etc. Como já foi anteriormente dito, é a paixão que nos move, e todas estas atividades acabam por se tornar mais do que numa obrigação, transformam-se num prazer!

Pontal – Distância da base da quilha ao convés.



publicado por cartasdemarear às 22:03
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 22 de Abril de 2014
Casco. Qual a melhor escolha.

O casco da embarcação é crucial na escolha da mesma de acordo com a utilização que pretendemos disfrutar. Quanto ao formato, o casco pode enquadra-se numa das seguintes categorias: Cascos planos ou com um V muito leve, principalmente utilizados em planos de águas calmas (lagos, barragens, rios) e de características planantes, rápidos, por natureza, e sem necessitarem de grandes motorizações; Cascos em V profundo ou muito acentuado, ideais para mar aberto devido à sua estabilidade em condições adversas, necessitando de motorizações potentes para suportarem as suas características planantes ou semi-planantes; Cascos arredondados, os deslizadores por natureza, sendo que  as altas motorizações só se justificarão no caso de traineiras ou barcos de trabalho normalmente transportadores de grandes cargas a velocidades reduzidas comparativamente aos outros formatos; Multi-cascos, também denominados por catamarans ou trimarans, dependendo de possuírem 2 ou 3 cascos ligados entre si. Estes barcos são normalmente motorizados com um motor em cada casco, não necessitando de motorizações altas para atingirem velocidades significativas. Os trimarans são característicos normalmente em veleiros com um motor central, sendo que os cascos laterais têm dimensões diferentes do casco central. Quanto ao tipo de deslocamento na água, podemos classificar então os cascos como: Cascos planantes, os que após arranque rapidamente se deslocam planando sobre a água; e Cascos de deslizamento, os que deslizam afastando a água cuja parte submersa do barco empurra.

 

 

Convés – Pavimento superior completo da proa à popa, fechando o casco na altura da borda.


tags:

publicado por cartasdemarear às 20:58
link do post | comentar | favorito

Domingo, 20 de Abril de 2014
Âncoras ou ferros de fundear.

Fundear é o ato que nos permite aguentar uma embarcação num determinado ponto, evitando que esta seja arrastada por vagas, ventos e correntes. Fundear permite-nos parar para almoçar ou passar a noite em locais sossegados e agradáveis. E é também a primeira atitude a tomar se o motor ou o leme falharem, pois permite parar o barco enquanto se procura resolver o problema. As âncoras ou ferros de fundear, são peças de ferro, aço ou alumínio com a forma apropriada para se fixarem no fundo do mar. Quando selecionamos a nossa âncora devemos considerar o tipo de fundo onde tencionamos operar mais frequentemente (lodo, areia ou rocha). As âncoras sem cepo, são as mais modernas, podem ser de vários tipos, sendo os mais comuns: tipo charrua, tipo Byer, Danforth, Hall e Dunn.  Todos estes ferros apresentam boa fixação em diversas superfícies. As âncoras Danforth são especialmente utilizadas em pequenas embarcações. O seu poder de fixação é muito elevado relativamente ao seu peso, cerca de duas vezes mais que noutro tipo, exceto em fundos de lodo, onde um maior peso é necessário.

Alheta Direção de cerca de 45º entre a popa e o través.



publicado por cartasdemarear às 21:40
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014
Febre de mar.

Aproxima-se mais um verão e, como todos os anos acontece, surgem novos nautas. Muitos terão apenas uma experiência passageira, outros encontrarão no mar o hobbie da sua vida. Para uma navegação em segurança, as condições climatéricas são cruciais, no entanto a náutica de recreio, num país como o nosso, pode ser praticada todo o ano. A febre de mar surge no verão, pois mar é sinónimo de lazer e diversão. No entanto, e apesar de termos maior probabilidade de melhores condições climatéricas nesta época do ano, temos de contar com uma maior afluência de embarcações nos nossos lugares prediletos de navegação. No mar existem regras, e o Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar (RIEAM), descreve todas as regras de segurança, prioridades, luzes e sinais sonoros que devem ser observados por todas as embarcações, com o objetivo de garantir uma navegação segura. Todos aqueles que se aventuram no mar devem conhecer e respeitar estas regras, pois é a sua própria segurança que ficará em causa se não o fizer. É frequente no verão, encontrarmos na nossa costa vários exibicionistas em pequenas e velozes embarcações (lanchas e motos de água) muitas vezes a praticar manobras perigosas e pouco responsáveis, garantidamente não serão verdadeiros marinheiros e ao primeiro azar abandonarão as nossas águas. Tenham paciência…é a febre de mar.

 

Amura – Direção de cerca de 45º entre a proa e o través.



publicado por cartasdemarear às 13:15
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 16 de Abril de 2014
Hélices de proa?

Todos reconhecem o hélice como o elemento que transmite a potência do motor que permite propulsionar a embarcação. Podem ser de diversos materiais: alumínio, aço inoxidável, bronze entre outros. O hélice define-se pelo seu passo e diâmetro, geralmente aumentando este último com o tamanho do motor. O passo do hélice é a distância teórica que a embarcação percorre com uma rotação do mesmo. A escolha do hélice deve ser realizada de acordo com as nossas necessidades de navegação, e ao contrário da generalidade das pessoas que ficam satisfeitas com o hélice que o barco já trás de origem, devemos verificar se não vale a pena mudar o hélice para aumentarmos a eficiência. Automaticamente, e de forma correta, situamos este equipamento na popa do navio, no entanto vários construtores começam a instalar hélices de proa em embarcações mais pequenas. Estes equipamentos, tal como nos navios de grande porte, servem para facilitar determinadas manobras tais como, aproximar suavemente a proa de um pontão ou melhorar o ângulo de aproximação a baixas velocidades.

 

Través – Direção perpendicular à proa-popa da embarcação


tags:

publicado por cartasdemarear às 20:42
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 14 de Abril de 2014
Madeira, Metal ou Fibra.

Os materiais de que é constituída a nossa embarcação dizem muito não só da mesma, como também da personalidade de quem as governa. A evolução na construção naval tende a seguir uma orientação mais prática e desportiva nas novas embarcações destinadas à náutica de recreio. A fibra de vidro, nos últimos anos, tem assumido um papel de destaque pela sua leveza, durabilidade e principalmente pela sua facilidade na manutenção. Tirando o caso da osmose, que tendo sido apontado durante muito tempo como fator de “abate” de várias embarcações, começam a existir no mercado soluções eficazes para este problema. As embarcações de metal, maioritariamente em alumínio marítimo, também foram e continuam a ser opção de vários construtores principalmente nas embarcações destinadas à pesca e pequenas lanchas de recreio, sendo também possível encontrar alguns veleiros neste material. Por fim, a madeira, o eterno material clássico, cada vez mais raro de se encontrar como material estruturante,  passou a ser utilizado em acabamentos como sinal de luxo e conforto. Por norma são embarcações pesadas (em comparação com as de fibra) e carecem de muita manutenção, no entanto quem não gosta de as contemplar... Virámos costas e abandonámos o clássico, deixámos de produzir embarcações de madeira e ao fazê-lo extinguimos todo um conjunto de conhecimentos passados, ao longo de vários séculos, de geração em geração. A madeira é um material robusto e simultaneamente flexível, adapta-se com muita facilidade às situações adversas do mar, e se for de boa qualidade “verga mas não parte”. Contudo, a verdade é que a madeira, tal como o marinheiro, é um ser vivo e é ela que muitas vezes dá a alma à embarcação.

Ré – Parte do navio que fica para o lado da popa.



publicado por cartasdemarear às 14:00
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 10 de Abril de 2014
À vela ou a motor.

Ao longo dos séculos XIX e XX, a vela de recreio espalhou-se pelo mundo. Mas os barcos à vela são bem mais antigos, existindo desde que há pessoas a viver perto da água e tendo sido usados para transporte, pesca, comércio ou como barcos de guerra. A vela é um desporto que atrai pessoas de todas as idades, proporcionando uma oportunidade única para uma família partilhar a mesma atividade de tempos livres. Na vela a aprendizagem é contínua e o desafio é uma constante. Existem no mercado várias opções para se experimentar e praticar esta modalidade, o que não obriga a suportarmos custos fixos com a embarcação. O aluguer ou uma posse partilhada são soluções bastante viáveis para quem quiser experimentar. Por outro lado, navegar a motor é sinónimo de velocidade e divertimento garantido. As embarcações a motor são mais simples e intuitivas de se manobrar. Estas embarcações, apodem ser classificadas consoante a sua morfologia em quatro grupos: Lanchas rápidas – entre 4 a 8 metros, com cascos que variam consoante o tipo de águas a que se destinam, e utilizadas muitas vezes para esqui aquático; Pesqueiros rápidos – normalmente com cabina de navegação e com casco em “V” profundo que lhes fornece capacidade para operar em condições mais instáveis, e muito usados para a pesca desportiva; Semi-rígidos – inicialmente projetados para busca e salvamento; Cruzeiros rápidos – embarcação familiar que oferece uma boa combinação de conforto e área de convés, possuí sempre motores interiores e quase todos a diesel.

 

 

Vante – Parte da embarcação que fica para o lado da proa.



publicado por cartasdemarear às 22:59
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 8 de Abril de 2014
O tamanho… importa!

Quando refletimos sobre o tamanho que deve ter a nossa embarcação, muitas vezes somos levados a pensar que quanto mais pequena melhor, e menor serão os custos para a manter. É verdade que a taxação nas marinas é realmente efetuada pela dimensão da embarcação. Também temos noção, de que a manutenção de uma embarcação mais pequena poderá ser mais fácil de gerir do que numa embarcação de maior porte. No entanto, muitas vezes esta abordagem vai-se repercutir na decisão de venda da mesma. Porquê? Porque rapidamente tomamos consciência das limitações da embarcação, e apercebemo-nos que afinal não foi a escolha mais acertada. A embarcação é muitas vezes um passatempo familiar, e as famílias crescem, e com elas a necessidade de espaço. Algumas das atividades que pensámos fazer ficam fora de questão, e a desilusão instala-se. É possível conseguir obter tanta satisfação numa embarcação pequena como numa de maior dimensões, mas infelizmente a maior parte dos nautas que vende as suas embarcações é exatamente por este motivo. Procuram uma embarcação maior. Afinal ao contrário do que se diz, size matters!

Estibordo – É o bordo que fica à direita quando estamos virados para a proa



publicado por cartasdemarear às 14:02
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Junho 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
12
14

16
18
20

22
23
24
25
26
27
28

29
30


posts recentes

O astrolábio

Desidratação a bordo – co...

Diário de Bordo - Parte I...

Diário de Bordo - Parte I

Superstições, mitos e len...

Superstições, mitos e len...

Dez Mandamentos a bordo

Cuidados a ter quando nav...

20 Itens a verificar ante...

20 Itens a verificar ante...

arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

tags

água

âncora; ferro

anti vegetativa

astrolábio

bandeira nacional

bomba

bordo

bússola

cartografia

casco

casco;naútica

desidratação

diário

documentação

embarcação; proa; vante

enjoo

erros

fibra de vidro

gasolina; diesel; bombordo

gps

hélice

lavagem

leme

madeira

madeira; metal; fibra.

mandamentos

mar; febre

mofo

molinetes

noite

nós

pintura

popa; ré

resiliência

resina

sereias

size matters

superstições

vela; motor

zinco

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds
Em destaque no SAPO Blogs
pub